Carlos Tavares: opção hidrovia/cabotagem, o crescimento da economia chinesa e do grupo anti-Trump

HIDROVIAS

Dois recentes problemas econômicos combinados - a seca na Argentina e a greve dos caminhoneiros no Brasil – pelo menos serviram para demonstrar ao governo/empresários o erro de não aproveitarem devidamente os modais hidroviário/cabotagem. Com a redução da colheita de soja, o grupo argentino Vicentin para completar suas exportações, importou mais de 130 mil/t do grão brasileiro, pela extensa hidrovia Paraguai-Paraná até sua fábrica de farelo, no porto de Rosário. Por seu turno, enquanto a economia brasileira ficava semi-paralisada, com elevados prejuízos, devido a greve nas rodovias, a imensa via litorânea (7 mil km), sem assaltos nem buracos, e mais barata, permanecia à disposição da pouco utilizada navegação de cabotagem.

CHINA / 2018

Como a China permanece como maior nação importadora das exportações nacionais e também a principal investidora, para tranquilidade geral, torna-se importante saber dos reais resultados da respectiva economia. Superando a previsão oficial, no primeiro semestre o PIB cresceu 6,8%, os investimentos externos somaram U$ 57,2 bilhões e os internos U$ 39 bi, com a criação de 7,5 milhões de empregos. Até julho, a balança comercial subiu 8,6% (U$ 2,45 trilhões), com as exportações crescendo 5%, e as importações, 12,9%. Em julho as reservas cambiais aumentaram US$ 5,8 bilhões, chegando ao total de US$ 3,11 trilhões, as maiores do mundo. Confirmando sua posição como economia de mercado, nesse período, com as que foram criadas, o total das empresas privadas superou 100 milhões. Nesse contexto, na província de Zhejiang foi inaugurada a primeira ferrovia de alta velocidade (350 km/h) com capital privado (U$ 7 bilhões) do Fosun Group. Apesar desses excelentes resultados – com o PIB acima da previsão crescendo o dobro do apurado nos EUA – a mídia local continua apregoando que a China vai mal.

ANTI-TRUMP

Essa absurda guerra comercial desencadeada pelo presidente Trump – iniciada com a China mas se estendeu a outros países – representa verdadeiro tiro nos pés, ou pela culatra, como queiram. Contrariando seus objetivos, ficaram a superpotência asiática e seu presidente isolados na liderança econômica mundial, como desagradados os empresários americanos. Em julho, demonstrando a posição do setor privado contra as indevidas medidas de retaliação, três importantes fatos ocorreram. A Câmara de Comércio Americana em Xangai divulgou nota contra o aumento de tarifas, acrescentando que as empresas filiadas estavam dando lucro e que iriam reinvestir. Logo depois, chegava a Pequim numerosa missão comercial, chefiada pelo próprio prefeito de Chicago. E, finalmente, a Tesla, principal fabricante de carros elétricos, decidiu estabelecer montadora em Xangai, para produzir 500 mil veículos, em 2020, a maior do mundo. A propósito, o jornal O Globo(26/7) em correta nota Opinião, após classificar como ”uma insanidade” do governo Trump continuar travando as importações, com absoluta isenção, encerra : ”Enquanto isso, Pequim adota políticas de incentivos para manter a economia em crescimento. Sob aplausos gerais”.



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