Carlos Tavares: a chapa militar e a China, a melhor carne do mundo e portos e políticos

CHINA/ELEIÇÕES

Com o título acima, coluna do mês passado comentava a restrição do candidato presidencial da chapa militar ao intercâmbio (comércio / investimentos) com a China, principal parceiro do Brasil nesses setores. A propósito, aplaudindo o artigo, de Pequim, recebemos mensagem assinalando : “Realmente há necessidade de ficar alerta com as infundadas afirmações do capitão”. E quem a enviou foi Chen Duqing, grande amigo do Brasil, que por largos anos foi cônsul no Rio e embaixador em Brasília. Agora é diretor do Centro de Estudos Brasileiros.

Curiosamente, decerto cairiam em mãos chinesas – já com investimentos acima de US$ 125 bilhões, controlando usinas, poços de petróleo e distribuição de água/energia – caso se realizasse a (indevida) apregoada privatização do rentável Banco do Brasil e da Petrobras, que apresentaram altíssimos lucros no primeiro semestre. A China tem os dois principais bancos do planeta ( o Comercial / Industrial e o da Construção ), bem como as maiores reservas cambiais, de US$ 3,2 trilhões e de ouro, US$ 74 bilhões.

CARNE
A China tornou-se o principal destino da carne bovina exportada pelo Brasil, que também passou a liderar as importações do produto pelo gigante asiático, superando a Irlanda, Holanda e os Estados Unidos. Segundo relatório do banco holandês Rabobank, no primeiro semestre a China havia importado 456 mil/ton de carne, e até agosto, com elevação de 44% a exportação brasileira “contrabandeada de Hong Kong” alcançou US$ 212 mil/t.

Como se vê, o importante banco – assim como a Organização Mundial de Turismo e parte da mídia local – trata a cidade/porto de HK como país separado, embora tenha retornado à mãe-pátria China em 1997. A propósito, também no primeiro semestre, a produção chinesa de carne, embora tenha aumentado para 2,8 milhões/t, não chegou para a enorme população do país. Certamente, essa considerável elevação do consumo da carne brasileira deve-se à divulgada gentil declaração do presidente Xi Jinping, em 2017, de que se trata de “uma das melhores do mundo”.

PORTO/POLÍTICA

Nesta fase final de campanha, seria interessante que as entidades empresariais nos contatos/entrevistas com os candidatos à presidência e vice, reivindicassem não só a extinção das licitações financeiras como também da interferência de políticos nas administrações (Docas) portuárias.

As danosas licitações, além de onerar as exportações, dada a alta movimentação de dinheiro, servem para atrair os políticos, que indicam apaniguados para as administrações das Docas. Em 2015 o PMDB saiu do Governo mas ficou com o controle das Cias Docas/Portos: Santos, vice Temer; Rio, deps Cunha/Picciani; Esp. Santo, sen. Rose; Ceará, sen. Eunício e Pará, sen. Barbalho, (jornal Valor de 5/8/15).



menu
menu