BC vê economia bem estimulada e só "surpresas muito fortes" levariam a novo corte da Selic

SÃO PAULO - O Copom (Comitê de Política Monetária) seguiu a expectativa do mercado e cortou a taxa básica de juros em 25 pontos-base, para 6,75%, mas a questão estava para um possível fim do ciclo de redução da Selic, o que o Banco Central deixou bem sinalizado. Apesar disso, analistas estão de olho na pequena "brecha" deixada pela autoridade monetária para um novo corte.

Para os analistas da GO Associados, chamou atenção o fato do BC afirmar que a economia brasileira está mostrando uma recuperação consistente, o que ajuda a explicar a visão de que, no cenário-base, o fim do ciclo acabou. "A economia não precisa de muitos estímulos adicionais para se manter em recuperação. A taxa de juros já está no terreno estimulativo o suficiente", explicam.

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Outro ponto importante citado no comunicado foi o aumento da volatilidade financeira externa, que nestes últimos dias chegou a ameaçar o corte de juros desta quarta. Apesar disso, o BC vê o cenário externo como favorável.

A equipe a GO ainda lembra que a autoridade citou o ano de 2019, "fato que ainda não havia acontecido". "Parte de sua decisão está ligada ao fato de ver que sua projeção está no centro da meta para 2019. Apesar dela ainda estar um pouco abaixo do centro da meta para este ano", afirmam os analistas. "Em suma, o ciclo acabou, dado que considera que a recuperação econômica é consistente", concluem.

Em entrevista para a Bloomberg, Sergio Vale, economista-chefe da MB Associados, afirmou que "está nas mãos do Congresso agora. Se aprovar a Previdência, cai mais 25 pontos-base. Como creio faz tempo que não será aprovada mais neste governo, o BC deve parar na decisão de agora". Já para Ivo Chermont, economista chefe da Quantitas, apenas "surpresas muito fortes" levariam a um corte de 25 pontos-base em março.



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