A greve dos caminhoneiros e os impactos para o comércio exterior brasileiro

A greve dos caminhoneiros repercutiu fortemente nos resultados da balança comercial brasileira. Nas duas últimas semanas de maio, o volume médio diário das exportações recuou 36%, o que representa uma perda de US$ 1 bilhão em exportações, segundo estimativa da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB). Os reflexos da paralisação afetam não só a economia daqui, mas a de todo o mundo, e podem ser percebidos, por exemplo, na flutuação dos preços dos fretes e nas taxas adicionais de tráfegos entre os países.

Samara Reis, diretora da Serpa China, empresa chinesa de consultoria de comércio exterior do Grupo Serpa, explica que, durante a greve, muitos exportadores asiáticos foram obrigados a segurar seus embarques, o que levou a uma queda no valor dos fretes. Segundo ela, com o fim da paralisação, a tendência é que haja um “boom” nos preços e problemas de espaço para armazenar as mercadorias. Além disso, a previsão é de uma queda nas transações comerciais entre os dois países. “Os projetos de consultoria em comércio exterior desaceleraram, e os empresários brasileiros adiaram muitas decisões de negócios com a China”, comenta.

Nos Estados Unidos, o cenário foi um pouco diferente. “Ao contrário do que aconteceu no gigante asiático, os principais armadores marítimos Hamburg Süd e Hapag-Lloyd anunciaram aumentos nas tarifas por tempo indeterminado”, declara Milton Rocha, sócio-diretor do braço americano do Grupo Serpa, a Serpa USA. De acordo com ele, essas empresas reprogramaram por uma semana a chegada dos navios nos portos brasileiros. Já no espaço aéreo, o especialista comenta que muitas empresas suspenderam temporariamente o transfer da Declaração de Trânsito Aduaneiro (DTA) com os aeroportos Viracopos e Guarulhos, até que todas as mercadorias paradas por causa da greve fossem retiradas. “Diante dessa esfera de instabilidade, muitos dos nossos clientes optaram por esperar o fim do movimento grevista para embarcar para o Brasil”, diz.

Uma das medidas do governo federal para compensar parte dos subsídios com o desconto do Diesel em R$ 0,46/litro foi diminuir o percentual do Programa Reintegra de 2% para 0,1% a partir do dia 1º de junho. Mas os prejuízos para os exportadores brasileiros podem ser ainda maiores. Isso porque, segundo o gerente de logística internacional do Grupo Serpa, Flávio Teles, para as cargas de exportação – que saem do Brasil -, há o risco de um custo adicional pelo tempo de sobrestadia dos contêineres que estão totalmente carregados nos portos, processo conhecido como Detention.

No setor de transporte rodoviário, os impactos são incalculáveis. Além da perda financeira decorrente da paralisação, os custos fixos e folhas de pagamento são altos. De acordo com Cláudia Souza, sócia-diretora do Grupo Serpa, também é preciso pensar no custo de armazenamento e no desabastecimento de mercadorias e produtos, que podem levar ao fechamento de fábricas e indústrias por falta de insumos e matérias-primas para a produção. “Isso sem falar nas situações de violência e vandalismo às quais motoristas e veículos ficam submetidos nessas situações de incerteza. Para agravar o quadro, as companhias de seguro costumam não oferecer cobertura e proteção nesses casos”, finaliza.

Fonte: O Anápolis



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