Gargalos em aeroportos devem afetar exportações, alertam despachantes

Os exportadores que utilizam os aeroportos de Guarulhos, na região metropolitana de São Paulo, e de Viracopos, em Campinas (SP), estão com dificuldades para embarcar produtos por causa do acúmulo de cargas nos terminais, alerta o Sindicato dos Despachantes Aduaneiros de São Paulo (Sindasp), que representa profissionais que atuam em 97% do desembaraço do comércio exterior brasileiro. Segundo a categoria, situação deve piorar a partir da semana que vem, quando auditores fiscais e analistas tributários da Receita Federal prometem retomar o movimento grevista, interrompido temporariamente na primeira semana de julho.

"Os aeroportos de Guarulhos e Viracopos, os dois maiores do Brasil na movimentação de carga aérea, vem sofrendo com restrições de espaço em seus terminais, culminando até mesmo com a suspensão temporária no recebimento de mercadorias com destino ao exterior", conta o presidente do Sindasp, Marcos Farneze.

Segundo ele, o crescimento das exportações brasileiras este ano aumentou o volume de cargas direcionadas aos aeroportos de Guarulhos e de Viracopos. E o acúmulo de produtos nos terminais nos últimos dois meses cresceu por fatores pontuais -- a redução do ritmo dos trabalhos dos fiscais da Receita Federal, desde 1º de novembro de 2017, e a greve dos caminhoneiros em maio deste ano.

"As companhias aéreas ainda não reagiram para atender à demanda que está cerca de 77% maior [que um ano atrás]. Isso criou um acúmulo nos terminais. Em função disso, as cargas estão sendo armazenadas por mais tempo. Quando se esgota a capacidade dos terminais, a carga fica nos caminhões", diz o diretor de operações de Viracopos, Marcelo Mota. Segundo ele, a empresa adotou um procedimento chamado de "fila inteligente". "Quem tem o voo contratado para voar nos próximos dois dias, a gente processa e coloca no voo. Se o exportador não tem o voo contratado, é melhor não enviar a carga para o terminal", afirma.

A movimentação de cargas para exportação no Terminal de Carga (TECA) do Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas (SP), atingiu em junho o maior índice dos últimos cinco anos e meio, com alta de 77,17% em relação a junho de 2017. Foram movimentadas um total de 10,4 mil toneladas ante 5,8 mil toneladas de junho de 2017 e 5,5 toneladas de junho de 2016.

Segundo a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), o transporte aéreo internacional de cargas feito a partir do Brasil acumula crescimento de 36,9% de janeiro a junho deste ano ante igual período de 2017, enquanto o frete doméstico apurou incremento de 14% no mesmo período.

Mota aponta que Viracopos pode ampliar o espaço de armazenamento, por meio de lonas em áreas do terminal não usadas atualmente. "Estamos avaliando se esse movimento maior de exportações ainda é um pico, ou se vai sustentar. Se for verificado que é mesmo uma tendência firme e estrutural, poderemos fazer ampliação", diz o diretor de Viracopos.

Também a GRU Airport, operadora do aeroporto de Guarulhos, aponta que os terminais de carga, principalmente os setores de exportação e trânsito, registraram aumentos no volume de armazenamento, no tempo de liberação das cargas e execução dos serviços, devido à greve dos Auditores da Receita Federal do Brasil, iniciada no dia 7 de novembro de 2017 e finalizada, parcialmente, em julho de 2018. Além disso, afirma, a greve dos caminhoneiros, em maio deste ano, agravou a situação.

"Por isso, o aeroporto adotou uma operação específica para o recebimento de cargas para exportação, priorizando o embarque de cargas especiais como perecíveis, animais vivos, mala diplomática, esquifes e produtos biológicos. As cargas secas foram tratadas, conforme o índice de ocupação do armazém. Todo esquema especial foi alinhado com as companhias aéreas e órgãos do setor", informa a GRU Airport por nota enviada ao Valor. O sindicato dos despachantes alerta que esse quadro vai piorar se os fiscais da Receita Federal retomarem as manifestações.

O Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil (Sindifisco) aguarda a publicação do decreto que regulamenta uma remuneração chamada Bônus de Eficiência, uma promessa do governo de federal assumida há dois anos mas não cumprida. Na primeira semana de julho, a categoria suspendeu as paralisações, sob a condição de que Brasília publicasse a norma -- o que ainda não aconteceu.

A diretoria-executiva da entidade afirma que, após 1º de agosto, sem que o bônus tenha sido regulamentado, a categoria deve automaticamente retomar o movimento".



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