Carlos Tavares: China apesar de Trump, a vez das mulheres e religiosidade nacional

TRUMP X CHINA

Nos recentes pronunciamentos do presidente Trump na ONU, ao atacar o próspero comércio exterior da China, comprovou o seu objetivo básico de evitar que, em seu mandato, a superpotência asiática continue avançando e se isole na liderança da economia mundial. Com atos arbitrários, sem acordos nem consultar ninguém, Trump vem seguidamente elevando as tarifas de importação de produtos chineses, prejudicando diretamente os consumidores americanos. Com o eficiente controle que o governo chinês dispõe sobre a balança comercial, tarifas e câmbio, as medidas americanas tem pouco efeito e fácil retaliação.

Assim, até agosto, o comércio exterior da China registrou extraordinário crescimento de 9,1%, chegando a US$ 2,85 trilhões, com as exportações subindo 5,4%. Inclusive, para surpresa geral – particularmente de Trump – o intercâmbio com os EUA teve elevação de 5,9%. E a economia chinesa, este ano, permanece com previsão de alta de 6,7%, enquanto a americana ficou em 2,9% (OCDE, Paris). Aliás, em outra preocupação para o presidente americano, dois recentes relatórios, do FMI e do HSBC Holding, indicam que até 2030 a China, será isoladamente, a maior economia do mundo.

NOVIDADE SÃO ELAS

Com o significativo título acima, e outro “Mulheres querem a caneta”, brilhantes artigos da coleguinha Flavia Oliveira (Globo, jornal e TV) mencionam a criação do grupo (de 3 milhões) “Mulheres Unidas contra Bolsonaro”, focalizando disparidades e injustiças no quadro político/eleitoral. Compondo a maioria do eleitorado – 52,5% / 73,3 milhões – nas eleições passadas, as mulheres só conseguiram eleger 51 deputadas (em 513 do total da Câmara) e 7 senadoras (do total de 81).

Apenas 638 prefeitas foram eleitas em cerca de 5.600 municípios, e somente 1291 deles tem mulheres nas Câmaras. Vale acrescentar, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (Globo 10/7/18), nesses municípios, 14417 candidatas não tiveram votos, nem os delas. Portanto, em boa parte são as próprias mulheres responsáveis por essa desigualdade política. Como bom feminista, na coluna de dez/17, sugeri que, por algum tempo, o Congresso estipulasse cota fixa de 30% de vagas para eleitas.

RELIGIOSIDADE

Corretamente, o papa Francisco resolveu fazer uma limpeza geral nas paróquias mundiais demitindo bispos e padres por pedofilia, em particular nos Estados Unidos, Alemanha, Austrália, Irlanda e Chile. E também no Brasil, em Formosa (GO), por corrupção. O site BNLdata, informa que a necessária reabertura dos cassinos não tem apoio da enorme bancada religiosa, com mais de 200 parlamentares. Aliás, talvez o país mais religioso do mundo – com mais de 95% da população acreditando em algum deus - no Brasil, entre janeiro de 2010 e março de 2017 foram criadas 67.951 entidades religiosas.

A cada uma hora surge nova organização religiosa, inclusive, no Rio, naquele período, foi criada a Associação Ministerial dos Homens Corajosos (Globo, 23/3/2017). A propósito, o novo presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Toffoli, em sua posse propôs o “diálogo e formas de viver e conviver uns com os outros”. Nessa linha, talvez fosse conveniente a retirada da imagem de uma religião existente no STF, acima da bandeira nacional.



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