Embaixador José Botafogo Gonçalves falou sobre os desafios do Brasil no Acordo Mercosul / UE



A Federação das Câmaras de Comércio Exterior (FCCE), em parceria com a Câmara de Comércio e Indústria Brasil-Alemanha e a Câmara de Portugal, promoveu um encontro, no último dia 16, cujo tema foi “Novo Acordo Mercosul-União Europeia – Oportunidades e Desafios”.

O evento, que foi realizado na Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), abordou as perspectivas, os impactos e os benefícios comerciais sobre o acordo comercial entre o Mercado Comum do Sul (Mercosul) e a União Europeia (UE), fechado no fim de junho.

Dentro da programação, aconteceram palestras, debates e apresentação de cases de sucesso.
Participaram do encontro Paulo Fernando Marcondes Ferraz, presidente da FCCE; o embaixador José Botafogo Gonçalves, presidente do Conselho Superior da FCCE; Arlindo Varela, presidente da Câmara Portuguesa de Comércio e Indústria do Rio de Janeiro; Michele Villani, chefe da Seção de Comércio da Delegação da União Europeia no Brasil, além de representantes do setor público, consultores e de empresas especializadas.



Em participação especial, José Botafogo destacou a importância do primeiro passo do Brasil no sentido de abrir sua economia ao comércio internacional, buscando eficiência produtiva e aumento de competitividade de suas exportações. Segundo analisou, para ser implantado em todo o Mercosul, o Acordo terá que superar três desafios de caráter regional.

Para o embaixador, o primeiro desafio é convencer os empresários industriais de que não lhes resta alternativa a não ser a de reduzir as tarifas de importação que oneram a cadeia produtiva do produto nacional. “A ideia de que só se pode liberar o comércio após a redução do Custo Brasil não mais se sustenta; ao contrário, é a gradual redução dos custos da importação que vai reduzir esse custo”, destacou.

Já o segundo desafio é consequência do primeiro. As duas maiores economias sul-americanas devem conduzir juntas o processo de desmantelamento do protecionismo regional. O Brasil parece estar tentado a conduzir o processo de revisão da Tarifa Exterior Comum (TEC).

“Teoricamente é possivel. Política e economicamente é um erro, dado ao grau já existente de interdependência dos dois países no campo da produção industrial. Ademais, o fim do Mercosul diminuirá a atratividades do acordo recém-firmado de parte dos países da União Europeia”, explica Botafogo.

O terceiro desafio consiste em que o Brasil se disponha a liderar um processo de convergência das políticas comerciais com os outros países sul-americanos que não são membros plenos do Mercosul, como Bolívia, Chile, Peru, Colômbia e Equador. “Tal convergência de políticas comerciais teria como consequência o aumento da presença competitiva dos produtos industriais e agrícolas da América do Sul nos mercados mais dinâmicos da Ásia (China, Índia, Indonésia, etc), analisa o embaixador.

Concluindo sua apresentação, José Botafogo ressaltou que a implementação eficaz do Acordo Mercosul – União Europeia facilitará a desejada negociação de um acordo comercial com Estados Unidos, Canadá e México.






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