Ernane Galvêas: O momento da retomada

O MOMENTO DA RETOMADA

A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) produziu um guia com orientações sobre o momento da retomada das atividades econômicas no Brasil após a quarentena. O objetivo é ajudar os empresários na reabertura dos negócios, com sugestões de procedimentos práticos nas áreas tributária, trabalhista, financeira, sanitária, entre outras. O documento está sendo compartilhado com associações, entidades representativas, sindicatos e federações dos setores representados pela CNC e está disponível no site afavordobrasil.cnc.org.br

De acordo com o presidente José Roberto Tadros, a necessidade de se pensar no retorno gradual das atividades, incluindo aquelas que não foram enquadradas como essenciais, levou a Confederação a criar o documento. “As informações que estamos disponibilizando podem ser usadas como suporte a um planejamento estratégico por parte dos empresários do comércio de bens, serviços e turismo.

O momento é de união e coordenação e precisamos buscar o equilíbrio entre a gradual normalização na circulação das pessoas, o apoio para a subsistência de pessoas e empresas e a prioritária proteção da população, considerando as diversas realidades setoriais e regionais.”

Coluna Comércio em Pauta, O Globo - 14/5/2020

ATIVIDADES ECONÔMICAS

Enquanto alguns Estados e municípios discutem um endurecimento das medidas de isolamento social, com a imposição do chamado “lockdown” (confinamento obrigatório), a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) lançou um guia com orientações para a retomada das atividades econômicas, quando houver relaxamento das restrições. Num cronograma que não menciona datas, o guia coloca a reabertura dos shopping centers numa “segunda etapa” da retomada, enquanto lojas de cosméticos, academias de ginástica e livrarias voltariam a funcionar por último, na “quarta etapa”.

Segundo o ministro Paulo Guedes, a retomada da economia do Brasil vai acontecer em algumas etapas, a primeira com investimentos em grandes áreas de interesse internacional como infraestrutura. Executivos da indústria brasileira defendem estratégia de reabertura das atividades, mas que respeite os protocolos das autoridades de saúde, aproveite as experiências de outros países e seja feita de forma coordenada entre os três poderes.

A desaceleração na economia brasileira já provocou o cancelamento de 12 embarques que viriam da China, entre maio e julho. Com isso, o Brasil deverá perder 19% de sua capacidade de exportação em contêineres para o País asiático nos próximos meses. Os custos então serão mais altos, pois as empresas exportadoras, como as carnes, celulose e algodão, terão que concorrer por espaço nos navios. Dos 12 cancelamentos previstos para os próximos três meses, dois ocorrerão em maio, sete, em junho e já há outros três confirmados para julho.

A versão mais recente do relatório do BC a partir de prognósticos de 130 instituições financeiras estima em 3,8% a retração da economia brasileira em 2020, enquanto para o FMI a contração será de 5,3%. A diferença de 1,5 ponto percentual é a maior em 20 anos. Ela chama a atenção para a velocidade com que as perspectivas sobre o desempenho da economia brasileira foram se deteriorando desde março.

De janeiro a março, os portos e terminais brasileiros movimentaram 247.102.606 toneladas em mercadorias. O granel sólido respondeu por 57,08% do volume, granel líquido 26,36%, carga de conteinerização 11,20% e carga geral 5,36%.

O Índice ABCR de Atividade nas rodovias caiu 31,7% em abril, frente a março. Na comparação interanual, a queda foi de 43,8%. A redução do fluxo de veículos se deu tanto entre os veículos leves quanto entre os pesados, mas foi mais intensa para os primeiros, que até o momento sofrem mais impacto da epidemia do Covid-19.

O Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI), da CNI, se manteve praticamente inalterado na passagem de abril para maio, passando de 34,5 para 34,7 pontos, decorrente da forte contração da atividade e elevada incerteza em razão da pandemia. Acima de 50 pontos mostra que os empresários estão confiantes; abaixo, a indicação é de falta de confiança.



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