FEDERAÇÃO DAS CÂMARAS DE COMÉRCIO EXTERIOR

Nota de Pesar, Gratidão e Homenagem a Luiz Carlos Barreto

A Federação das Câmaras de Comércio Exterior (FCCE) manifesta profundo pesar pelo falecimento de Luiz Carlos Barreto, produtor, diretor, fotógrafo, empresário e um dos nomes decisivos da história do cinema brasileiro.

A trajetória de Luiz Carlos Barreto, conhecido como Barretão — poucos apelidos foram tão justos e merecidos — construída ao longo de mais de seis décadas, confunde-se com a própria formação do audiovisual nacional. Como figura-chave do Cinema Novo não apenas produziu filmes: produziu memória, mercado, ousadia e futuro. À frente da LC Barreto, ao lado de sua esposa e alicerce Lucy Barreto, compreendeu antes de muitos que o cinema era também soberania. Suas obras demonstraram que a identidade brasileira pode dialogar com o mundo sem renunciar à sua singularidade.

Para a FCCE, esse legado tem significado especial: Barreto mostrou que cultura não é ornamento. É economia, reputação, diplomacia e comércio. Ao levar o cinema brasileiro ao público nacional e internacional, ajudou a afirmar nosso patrimônio imaterial como um dos bens mais valiosos do nosso país que ele tanto amava.

Esta homenagem, porém, é também pessoal. Tive a oportunidade de trabalhar ao seu lado e aprender com ele durante a produção de filmes como O Quatrilho e O Que É Isso, Companheiro?. sua grandeza estava tanto nos resultados que alcançou quanto na forma como enfrentava a realidade: com coragem, lucidez, perseverança e uma rara capacidade de transformar dificuldades em realização.

Ele nos lembrava que fazer cinema no Brasil nunca foi apenas um negócio; era, muitas vezes, um ato de sobrevivência. Sua lição permanece: realizar exige talento, mas exige também resiliência, articulação e disposição de seguir quando tudo parece conspirar contra.

Poucos impactaram tanto a identidade do audiovisual brasileiro. Barreto abriu caminhos, formou gerações, aproximou arte e indústria e provou que o Brasil precisava se ver, se ouvir e se expor sem perder a própria alma.
Seu legado vai além das telas: está na convicção de que uma nação também se constrói pela força de suas narrativas, de que cultura e desenvolvimento caminham juntos, e de que o Brasil só se afirma plenamente quando reconhece o valor estratégico de sua criatividade.

Neste momento de luto, expressamos gratidão por sua obra, sua visão e sua presença. À sua esposa, Lucy Barreto, aos seus filhos, netos, amigos, colaboradores e a todos que foram tocados por sua trajetória, transmitimos nossas mais sinceras condolências.

A memória de Barretão seguirá viva em cada obra que ajudou a realizar, em cada profissional que inspirou e em cada esforço para que a cultura brasileira ocupe no mundo o lugar que lhe pertence.

Barretão parte, mas deixa uma tarefa: continuar acreditando que o cinema brasileiro é mais do que expressão artística. É uma forma de existência nacional.

Adair Roberto Carneiro
Presidente

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