FEDERAÇÃO DAS CÂMARAS DE COMÉRCIO EXTERIOR

G20-Uma perspectiva de oportunidades para o comércio exterior

O G20, formado por 19 países mais União Europeia e União Africana, é o principal fórum de cooperação econômica do mundo, e teve sua criação diante da crise financeira de 2008. O grupo tem buscado debater questões ligadas ao desenvolvimento econômico, buscando soluções globais e consensos comuns aos tratamentos dos problemas e desafios que afetam o mundo na atualidade.

A grande importância do G20 para a economia internacional é sua representatividade financeira, que é muito expressiva, pois somados os países membros são responsáveis por, aproximadamente, 90% do produto nacional bruto mundial, 80% do comércio internacional e cerca de 65% da população do planeta.

Além dessa representatividade financeira de tamanho peso, temas fundamentais para o desenvolvimento socioeconômico global agricultura, fontes de energia e meio ambiente são discutidos pela perspectiva dos mais importantes países do mundo.

O Brasil é país membro do G20, e assumirá a presidência do fórum pela primeira vez entre 1º de dezembro de 2023 e 30 de novembro de 2024. Durante esse período, ficará responsável por organizar a 19ª Cúpula do G20, que deve acontecer na cidade do Rio de Janeiro (RJ) em 2024.

A presidência do G-20, inédita para o Brasil, é considerada o ponto alto da agenda internacional e será um evento importante do posicionamento internacional do nosso país. O Brasil assume o comando do grupo da Índia, e passará para a África do Sul em dezembro de 2024.

Sabemos que um eixo temático envolve as principais reuniões do fórum e ao que tudo indica temas como : relações diplomáticas ( devido as guerras hoje existentes), saúde ( tema ainda ligado ao fim da pandemia recente), mudanças climáticas e empoderamento feminino estarão em voga nessa edição da reunião que é anual entre todos os paises.

O Brasil possui interesses próprios e entre eles, estão o “combate à desigualdade, fome e pobreza”, “desenvolvimento sustentável” em suas três dimensões (econômica, social e ambiental), “ação climática sustentável e transições energéticas justas e inclusivas” e “reforma da governança global”. Estando os temas em consonância com as prioridades da presidência brasileira
do G20.

Esses temas refletem não apenas preocupações globais, mas também oportunidades significativas para o comércio exterior brasileiro.

E qual seria esse real Impacto no Comércio Exterior?

A presidência do G20 pode ser um divisor de águas para o comércio exterior do país dependendo, claro, das políticas adotadas pelo governo brasileiro durante sua presidência, o que será decisivo para mensuração dos impactos específicos, além de determinar como será a interação com os outros membros do grupo. Com a presidência do G20, o Brasil tem a chance de moldar a agenda global de comércio e investimentos, promovendo políticas que beneficiem tanto a economia nacional quanto as economias emergentes. Alguns aspectos devem ser avaliados e pensados em termos de posicionamento de nosso país durante essas reuniões do G20. São eles:

1-Promoção de investimentos sustentáveis: tendo o foco de atuação determinado em desenvolvimento sustentável, especialmente avançando na transição energética, o Brasil passa a ser visto como um destino atraente para investimentos verdes, aumentando o alcance das parcerias comerciais e atraindo capital estrangeiro interessado em sustentabilidade;

2-Fortalecimento de relações comerciais: o simples fato de estar na presidência do fórum, coloca o país em posição de ouvinte, receptivo e ponto focal, oferecendo uma plataforma de discussões e uma enorme possibilidade de network, onde o Brasil fortalece laços comerciais com outras grandes economias. Isso pode levar, e provavelmente levará a acordos comerciais mais favoráveis e aumentar as exportações brasileiras;

3-Influência nas políticas de Comércio Global: o Brasil pode usar sua posição para influenciar as políticas de comércio global, estimulando países a adotar um sistema mais equitativo e menos protecionista, entendendo que isso irá beneficiar os países em desenvolvimento;

4-Atração de investimentos estrangeiros: a visibilidade aumentada e a liderança, bem como um correto posicionamento em questões globais, tornarão o Brasil um destino mais atrativo para investimentos de capital estrangeiro de forma direta, impulsionando setores-chave da economia;

5-Reforma da governança global: estabelecer mudanças na governança global, leva o Brasil a buscar um papel mais significativo junto aos países em desenvolvimento nas decisões econômicas globais, o que pode levar a um ambiente de comércio mais justo.

Logo entendemos que ser presidente do G20 é uma oportunidade sem precedentes para o Brasil, não apenas liderar discussões globais críticas, acessar os países mais importantes do mundo de uma forma protagonista, mas também para estabelecer um futuro de comércio exterior mais dinâmico e equitativo. Com ações estratégicas e colaborações internacionais, o Brasil está posicionado para desempenhar um papel crucial na formação do cenário econômico global nos próximos anos, e não podemos de forma nenhuma desperdiçarmos essa oportunidade ou não aproveita-la na integra, esperamos que setores públicos e privados tenham esse entendimento, e que esforços comuns sejam estabelecidos em prol dessa tão importante agenda.

Por: Claudia Jannuzzi – Vice-presidente do Conselho de Relações internacionais

Imagem: Site Brasília em Foco : brasiliainfoco.com

Outras Notícias

Rolar para cima